terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ninguém gosta de L.E.R.

Há três dias, Luis Fernando Veríssimo publicou uma crônica que saiu em vários jornais pelo país, e pode ser lida aqui. No último parágrafo, ele diz:


E novas técnicas criam novas superstições. Muita gente acredita que as câmeras fotográficas digitais não apenas capturam a alma do fotografado como a transformam em micro-impulsos que sobem e formam um cinturão eletrônico em volta da terra, misturado com o ozônio. Velhas crenças, como o perigo mortal de comer melancia com leite antes de pular na piscina, ganham vida nova. Por exemplo, misturar tequila "Subcomandante Marcos", pimenta e Prozac antes de pular na piscina. Mulheres com silicone devem passar pelos detetores de metais dos aeroportos de costas, senão os seios podem explodir. E o botox derrete. Guardar o Viagra numa cesta com ovos frescos por uma noite e fazer o sinal da cruz antes de ingeri-lo aumentam sua eficácia. Etcetera, etcetera.


É o tipo de texto que se lê, e depois surge um sorrisinho de "pior que é verdade" no rosto. E então você esquece e vai cuidar dos seus afazeres, e isso inclui intenso trabalho frente ao nosso companheiro de aventuras, o computador. Até que acontece algo que, de certo modo, já era esperado, mas, que coisa! Justo comigo?


Seu braço está em frangalhos, seus músculos não respondem e uma imensa e incontrolável vontade de xingar tudo à sua volta aparece, combinada com a dor característica: é o sinal que está na hora de parar, mas ainda faltam duas horas para bater o cartão e você precisa terminar o trabalho. É só olhar o mouse e lembrar que precisa essencialmente dele para fazer o que tem de fazer, que a dor volta e se recusa a ir embora. E pensar que você depende disso para conseguir o leitinho das crianças, mas nesse ritmo, até os trinta você já amputou o membro ou se aposentou por invalidez.


Então você começa a divagar a respeito da tecnologia informática, que conforme aquela velha piadinha que circula pelos emails, existe para solucionar problemas que antes não existiam. Pelo visto, toda aquela teoria da conspiração presente em tantos filmes (Exterminador do Futuro, Matrix, etc) estava certa, afinal: as máquinas vão ter vontade própria, vão dominar sobre a espécie humana, e o primeiro passo para a conquista é deixar os humanos travados por lesões por esforço repetitivo.


Acho que eu preciso de um Wii.




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